Trabalho escolar com alunos do 6º ao 9º Ano oportuniza conhecer a fundo a história de São Ludgero
Alunos da Escola de Educação Fundamental Bom Retiro fizeram uma viagem ao tempo desde a chegada dos alemães, em meados de 1873
Uma viagem ao tempo desde a chegada dos alemães, em meados de 1873, na terra que hoje está localizada a cidade de São Ludgero. Assim foi o mergulho dos alunos das turmas do 4º ao 9º Ano da Escola de Ensino Fundamental Bom Retiro, que integra a Rede Estadual de Ensino, ao desenvolverem um trabalho de História e Geografia com o tema “São Ludgero: conhecendo a história de nosso município” de responsabilidade das professoras Liriani Schmitz, Maria Edineia Faust e Senilde Theodoro Nogueira.
A proposta do projeto partiu diante do aniversário dos 61 anos de emancipação político-administrativa de São Ludgero celebrado no dia 12 de junho. Os objetivos foram conhecer mais sobre a história, analisar, relacionar, entender melhor e desvendar processos históricos das fases do desenvolvimento, bem como documentar. Durante o mês de junho, os alunos com o auxílio das professoras conheceram mais sobre a colonização da cidade e região. Entre as ações, visitas ao Museu da Colonização Uberto Brüning Schlickmann (São Ludgero) e Museu ao Ar Livre Princesa Isabel (Orleans).
No Museu da Colonização, foram recebidos por seu Uberto, carinhosamente conhecido como seu Quati. Na ocasião, os alunos receberam muitas informações sobre o município e conheceram diversos objetos históricos e documentos que explicitam as mudanças acontecidas na região e apresentam o cotidiano das pessoas que construíram e ajudaram no desenvolvimento da cidade. Foi possível observar artefatos relacionados ao trabalho, educação e religiosidade.
Em Orleans, no Museu ao Ar Livre, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer as diversas instalações históricas que representam o modo de vida e trabalho dos primeiros imigrantes da região. Eles observaram construções, objetos, equipamentos, e puderam relacioná-los com instalações que ainda existem no interior de São Ludgero e nas casas dos alunos e familiares, especialmente, com localização na zona rural.
Outro momento importante e marcante para os alunos, na busca por mais conhecimento sobre a história local, foi a conversa, a entrevista, com o senhor Werner Schlickmann, 94 anos. Ele é um dos moradores mais antigos da cidade e da comunidade do Bom Retiro, onde está localizada a instituição de ensino, oportunizando que conhecessem em detalhes aspectos da história com alguém que vivenciou várias fases do desenvolvimento da cidade. A entrevista foi realizada na Associação Atlética Bom Retiro, oportunizando aos alunos observar o seu Werner cercado por fotos e troféus do time de futebol que ele apoiou, desde a juventude, e cujo estádio leva o nome de seu pai, Felipe Schlickmann. Acompanhou os alunos na entrevista, fazendo os registros e as gravações, a professora Jaqueline Werncke.
Para a diretora da instituição, Margarete Coan Füchter, o trabalho desenvolvido oportunizou um comparativo importante de realidades entre o passado e o presente. “São experiências que contribuem para o conhecimento e para a vida dos alunos”, pontua.
Abaixo uma síntese da entrevista com seu Werner Schlickmann elaborada pela professora Jaqueline Werncke. Acompanhe:
...durante a conversa seu Werner Schlickmann, aos 94 anos, com memória privilegiada pôde contar aos alunos sobre as primeiras famílias que se instalarem na comunidade, além das condições difíceis de trabalho e acesso à saúde e educação. Ele relatou sobre diversos momentos importantes da história do Brasil, como a ditadura de Getúlio Vargas, as primeiras Copas do Mundo, além da emancipação política de São Ludgero, ao qual serviu como um dos primeiros vereadores, na gestão do primeiro prefeito em exercício, Daniel Brüning. Lembrou ele: “Naquela época era voluntário, não se ganhava nada”. Fazer parte e ajudar a comunidade é um dos marcos da vida de seu Werner.
...uma grande curiosidade dos estudantes era sobre a escola de antigamente, e seu Werner respondeu várias perguntas, enfatizando a importância de estudar, o incentivo da família para os estudos e as dificuldades que ele enfrentou, como morador do interior, para acessar a escola, que era no centro (atual EEB São Ludgero). Ele falou, para espanto dos alunos, sobre caminhar até a escola, sobre as estradas ruins e a distância percorrida, muitas vezes no escuro e no frio (pois ele não tinha agasalho ou calçados adequados). Segundo ele, havia maior respeito dos alunos para com os professores, apesar de existirem castigos severos para os estudantes que não obedeciam.
.....seu Werner falou sobre a alimentação, as vestimentas, brinquedos e o modo de vida da sua infância. Diversos “causos” contados por ele deixaram os alunos intrigados e curiosos, imaginando as situações vividas antigamente, como tomar banho em uma “gamela” de madeira, usar lanternas de querosene, preparar charque, usar as roupas que não serviam mais nos irmãos. Acostumados com o mundo digital, os alunos ficaram impressionados com a dificuldade de se comunicar, na época do seu Werner. Ele disse aos estudantes que as cartas, além da fala, era o meio de comunicação da época. Por vezes, era necessário ir até Tubarão para usar um telefone. O transporte também era restrito: andava-se a pé ou a cavalo. Ele se recordou dos cargueiros, carroças que faziam o trajeto de descida da Serra, antes da abertura das estradas, com mercadorias para a região.
...durante sua fala, o seu Werner reconheceu a importância das mudanças vividas por ele, uma vez que tornaram a vida das pessoas mais fácil. Ele afirma que o acesso à saúde melhorou bastante, pois antigamente era difícil encontrar médicos e nada era “de graça”. Por outro lado, ele sente falta de atitudes que, no passado, eram comuns, como cumprimentar as pessoas, visitar e conversar mais. Em sua opinião, deve haver a “quantia certa” de tempo para aproveitar a tecnologia, o “celular”, sem perder de vista os momentos com a família e os amigos.
...o respeito às pessoas, a valorização da família e as amizades são princípios que o seu Werner Schlickmann, hoje com 94 anos, considera fundamentais em sua vida. Em vários momentos da entrevista, ele falou sobre a importância de se fazer “bons amigos” e de formar uma família. Esse é um motivo de orgulho para ele: a família de onde ele veio e a grande família que ele formou, com seus 11 filhos. Além do respeito, ele deixou como conselho para os alunos a importância de dar bons exemplos e de ser honesto. Para ele, isso é o mais importante para uma vida longa, significativa e em paz.





