Técnicos visitam São Ludgero para conhecer projeto de Saneamento Ambiental Rural em desenvolvimento

Técnicos visitam São Ludgero para conhecer projeto de Saneamento Ambiental Rural em desenvolvimento
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01/01/2021

Kits de fossas sépticas começaram a ser implantados nas propriedades rurais em 2006.

   Um grupo de técnicos, representando 15 municípios da região de Rio do Sul, esteve em São Ludgero, na última semana para conhecer de perto o projeto de Saneamento Ambiental Rural, desenvolvido através da doação de um kit de fossas sépticas, instalação e orientações sobre este sistema de tratamento de efluentes domésticos, e que já beneficia mais de 200 famílias rurais de um total de 490.

   No Auditório do Samae, o modelo do projeto em desenvolvimento foi apresentado aos visitantes pela Engenheira Agrônoma do Escritório da Epagri local, Juliana Koenig Duarte. Na ocasião, ela explicou o trabalho de conscientização sobre a importância do saneamento em geral, intensificando no município, nas escolas a partir de 2002. Paralelo a isso, detalhou que existiu um forte trabalho realizado através do Programa Microbacias 1 e Microbacias 2 nas comunidades do interior, com forte direcionamento à área ambiental. Oficialmente, em 2006, São Ludgero iniciou as implantações dos primeiros kits de fossas sépticas com incentivo do projeto Microbacias 2, da Administração Municipal, em parceria com o Samae, e que posteriormente recebeu apoio financeiro da Vigilância Sanitária. “É um trabalho iniciado e desenvolvido ao longo dos anos, que tomou forma, se solidificou e em 2011 através de uma Lei Municipal resultou na garantia de investimento anual para esta finalidade”, ressaltou Nilva Schlickmann Pickler, Secretária Municipal da Saúde. A Lei Municipal 1.749 sancionada em 29 de agosto de 2011 autoriza a doação de fossas sépticas, utilizando recursos da Vigilância Sanitária. “Tudo isso coloca São Ludgero muito a frente quando o assunto é Saneamento Ambiental Rural em Santa Catarina e no Brasil”, observa a Extensionista da Epagri local, Teresinha Baldo Volpato. O Fiscal da Vigilância Sanitária, Gilson Martins, lembrou que o município disponibiliza significativo recurso, também, para combater o problema de borrachudos. “O Município disponibiliza o produto e a orientação técnica e as famílias entram com a parte prática de aplicação”, disse durante a apresentação. Atualmente, em relação ao projeto de Saneamento Ambiental Rural, o kit conhecido como “Conjunto para Saneamento Rural”, é fornecido gratuitamente, a Secretaria da Agricultura disponibiliza a máquina e a família rural entra com a mão-de-obra para ligação do sistema e se responsabiliza pela limpeza a cada dois anos, retirando o lodo. Técnicos questionaram sobre os resultados e qual o segredo para que o Município conseguisse implantar na prática o projeto. Sobre o resultado prático, a Secretária Municipal da Saúde, Nilva Schlickmann Pickler, disse que a diminuição dos atendimentos em relação verminoses e diarreia é visível. Já sobre a implantação, a Engenheira Agrônoma, disse que no caso de São Ludgero as famílias rurais demonstraram o interesse. “Mesmo que existam desafios a serem superados, as famílias visualizaram como importante o Saneamento Rural Individual e acredito que isso possa ter feito a diferença na implantação”, observou. Demonstrando seriedade, Juliana esclareceu aos visitantes que o maior desafio atual em relação as famílias que já possuem os kits funcionando é conscientizá-las sobre a importância da limpeza a cada dois anos para que o sistema permaneça funcionando e alcance seu objetivo. O Secretário Municipal da Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo, Valcemirr Villani, sobre o tema diz que atualmente existe um troca de ideias entre a secretaria e a equipe da Epagri para que sejam feitas mudanças na atual legislação. “Estamos felizes pelo fato do município ser referência, mas é importante fazer alguns ajustes na lei para que as famílias beneficiadas tenham maior responsabilidade em relação a ligação da residência ao sistema, como na parte de limpeza”, observa. Ele esclarece que em 2013 foram instaladas um total de 30 fossas sépticas. “A secretaria, atualmente, com auxílio de uma máquina e um funcionário instala até três fossas por mês”, informa.

    Na ocasião, o prefeito Volnei Weber, explicou que a referência estadual e nacional que tem São Ludgero em saneamento é um esforço de vários anos abraçado pela equipe do Samae. “O resultado de 100% de coleta e tratamento de esgoto no perímetro urbano e este passo importante no saneamento rural são na verdade uma consequência de decisões tomadas pelos administradores ao longo dos anos que felizmente tiveram uma visão de saúde pública. Isso significa que em São Ludgero os administradores entenderam e entendem que enterrar tubos é importante e garante um futuro saudável para o Meio Ambiente e para as próprias pessoas. E, a atual Administração Municipal reforça este compromisso com ações práticas nesta direção”, enfatizou. Ao final de sua fala desejou que os visitantes conseguissem levar para suas cidades, aquilo que vieram buscar em São Ludgero, bem como pediu que se tivessem alguma experiência ou sugestão positiva de suas cidades que as deixassem para os sãoludgerenses. O grupo visitante, ainda, fez questão de conhecer o funcionamento da Feira de Produtos Coloniais e todo seu sistema de gerenciamento.

   A visão de São Ludgero – Os técnicos ficaram impressionados com o município de São Ludgero por estar tão a frente no saneamento de forma geral, já ter conseguido obter 100% de coleta e tratamento de esgoto no perímetro urbano, bem como ultrapassar 50% das residências rurais. Chegaram a dar depoimentos que em algumas cidades onde, atualmente, foi tentado implantar o saneamento nas comunidades do interior, sem muito êxito.