São Ludgero marcou presença na audiência pública que debateu possível implantação de Fosfateira em Anitápolis
Parecer Técnico Responsável elaborado por profissionais de várias áreas, através do Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, foi fundamental para barrar o projeto judicialmente.
Uma comitiva de São Ludgero participou da Audiência Pública na noite de ontem, quinta-feira, 15 de agosto, no Salão Comunitário de Santa Rosa de Lima, com a finalidade de debater os riscos referente a possível instalação de fosfateira no município de Anitápolis. Ao final do evento, com manifestação coletiva contrária a instalação, o Deputado Estadual Volnei Weber anunciou que deu entrada na Assembleia Legislativa em proposição de Projeto de Lei vetando a exploração do fosfato natural ou rocha fosfática e seus derivados no estado de Santa Catarina. Ele acredita que terá o apoio dos demais colegas deputados e do governador Carlos Moisés da Silva.
A Audiência Pública foi promovida pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), através de proposição do coordenador da Frente Parlamentar das Barragens, Fabiano da Luz, do Fórum Parlamentar de Defesa e Proteção Ambiental Juntos por Anitápolis, e da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia, após receber solicitação formal feita pela Prefeitura de Santa Rosa de Lima.
O deputado Fabiano da Luz conduziu os trabalhos que teve os objetivos de mobilizar, informar, conscientizar e ouvir a população a respeito do assunto. Com um ótimo público presente formado por lideranças políticas, representantes públicos e de entidades, agricultores, comerciantes, empresários, estudantes, professores, funcionários públicos e especialistas em várias áreas ambientais. Para o Secretário de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo de São Ludgero, Paulo Sérgio Lorenzetti, e o vereador Adriano Becker, o evento foi muito produtivo.
O deputado estadual, Volnei Weber, ao se manifestar disse que sua posição contrária como representante público já vem desde o período que foi prefeito de São Ludgero e permanece na condição de representante público na Alesc. “Acredito que o caminho para barrar por completo o projeto é através de legislação e diante disso já dei entrada na proposta de Projeto de Lei vedando por completo a exploração em Santa Catarina. O fomento empresarial deve acontecer, jamais colocando em risco as atuais famílias de uma região, as futuras gerações e o Meio Ambiente”, pontuou.
A Prefeitura de São Ludgero foi uma das primeiras a se manifestar contrária a instalação, após mobilização iniciada pela entidade Montanha Viva que se mantém até os dias atuais, inclusive, através da equipe do Setor Jurídico Municipal, integrando Ação Judicial e por último, protocolando recurso de embargo de declaração, através de Apelação Cível nº 5034684-54.2014.4.04.7200/SC, junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), solicitando decisão judicial clara ao dar baixa administrativa no processo junto ao órgão ambiental referente a instalação.
O projeto prevê, além da extração do fosfato, a construção de duas barragens de rejeitos semelhantes às de Brumadinho e de Mariana, no estado de Minas Gerais, que se romperam e causaram graves catástrofes ecológicas e a morte de centenas de pessoas. O fosfato é um minério utilizado como base para a produção de fertilizantes químicos. Além do dano ambiental local, prejudicando nascentes de rios, fauna e flora nativa, um eventual rompimento da barragem de rejeitos – constituídos, entre outros produtos tóxicos, de ácido sulfúrico – causaria danos ambientais, sociais e econômicos de grandes proporções a dezenas de municípios.
O prefeito de São Ludgero, Ibaneis Lembeck, o Iba, não pode estar presente, mas fez questão de enviar uma carta reforçando o compromisso como gestor público de manter posição contrária a instalação, pedindo que a mobilização dos municípios permaneçam, através da Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel), usando todos os caminhos possíveis, para que seja eliminada por completo a possibilidade de instalação. Iba tem certeza que a região pode seguir seu desenvolvimento com outras explorações empresariais saudáveis, a exemplo do fomento turístico, com gigante potencial, ainda não explorado.
Um Parecer Técnico Responsável foi elaborado por profissionais de diversas áreas, através do Comitê da Bacia do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, referente ao projeto que visa instalar uma Fosfateira em Anitápolis. O relatório que está em anexo pode ser acessado na íntegra.