Projeto desenvolvido no Centro Educacional Professor Henrique Buss já reduziu em 70% o desperdício de alimentos servido na merenda escolar

Projeto desenvolvido no Centro Educacional Professor Henrique Buss já reduziu em 70% o desperdício de alimentos servido na merenda escolar
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01/01/2021

Projeto foi implantado em 2017 e envolve mais de 600 alunos do 1º ao 5º Ano.

      Com mais de um ano funcionando no Centro Educacional Professor Henrique Buss, instituição que forma a Rede Municipal de Ensino de São Ludgero, envolvendo mais de 600 alunos do 1º ao 5º Ano, o projeto “Defensores da Vida: da produção de alimentos à sustentabilidade planetária”, já apresenta resultados muito positivos na avaliação dos professores, inclusive, com redução média de 70% alcançada em relação ao desperdício dos alimentos servidos na merenda escolar que era em torno de 40%.

        A atividade integra o Projeto Criativo Ecoformador (PCE), elaborado pelos gestores e docentes das escolas municipais durante uma das etapas do Programa de Formação-Ação em Escolas Criativas, desenvolvido pelo Centro Universitário Barriga Verde (Unibave), com apoio das Redes Internacionais de Escolas Criativas – RIEC e RIEC Brasil, através da parceria financeira com a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de São Ludgero.

       Iniciado em 2017, logo nos primeiros encontros, os docentes refletiram sobre os maiores problemas da escola e também sobre suas potencialidades e foi assim que surgiu o projeto que teve como base o excesso de alimentos que os estudantes desperdiçavam nos intervalos e as consequências ao Meio Ambiente.

     Como o programa é formado por várias etapas, os docentes puderam, além de elaborar o projeto, articular às diferentes disciplinas, interagir para socializar iniciativas inovadoras que iam desenvolvendo no decorrer do ano letivo. Dessa forma, além dos encontros na própria escola, outros momentos foram oportunos tanto para valorizar as transformações promovidas gradativamente como conhecer experiências de outros contextos que têm trabalhado em prol da Sustentabilidade.  

 

Prática pedagógica desperta interesse de outras escolas

      Em função do diferencial na prática pedagógica, especialmente pelo fato de articular nas atividades comprometidas com a sustentabilidade o currículo escolar, o Centro Educacional Professor Henrique Buss, tem despertado o interesse de outras escolas a exemplo da visita feita no mês de julho deste ano (2018) por mais de 50 docentes da Rede Municipal de Massaranduba, acompanhados pelo Secretário de Educação.

     Em decorrência da utilização da referida metodologia no desenvolvimento de programas formativos e nas práticas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula, têm sido constatados resultados significativos em diferentes contextos, tais como ampliação do trabalho colaborativo entre os docentes e estímulo à criatividade deles, a aproximação entre a escola e a comunidade, mudanças na forma de planejar o ano letivo, nas estratégias utilizadas em sala de aula e para além dela, bem como o protagonismo de docentes e estudantes quando transladam de uma posição de inércia para vivenciar o currículo conectado.

 

O despertar do compromisso individual, social e ambiental

Com o projeto está sendo possível promover o conhecimento acerca da produção e do consumo de alimentos e da geração e destino local e global de resíduos, por meio de atividades em que o currículo e realidade fossem articulados para ampliação da percepção dos estudantes acerca da necessidade de uma vida alicerçada por valores como a solidariedade, bem como o respeito e o compromisso com o bem-estar individual, social e ambiental.

Para evitar um ensino transmissivo, os docentes oportunizam uma atividade em que os próprios docentes aferissem a quantidade de alimentos que desperdiçavam diariamente. Com a ação, todos, docentes e estudantes, tiveram uma experiência em relação a quantidade desperdiçada e se mobilizaram no sentido de transformar a forma de agir.

 

Os alunos ajudam a fazer os levantamentos do desperdício

Um painel para registro da quantidade desperdiçada foi organizado. Ele foi fixado no refeitório e os galões desenhados representavam os lixeiros que usavam para jogar foram os alimentos da merenda escolar. Ao lado, cada turma (uma por dia) anotava quanto desperdiçavam.

E, como esperavam os docentes, a atividade gerou um impacto nos estudantes, que se deram conta da quantidade de alimentos que diariamente jogavam nas lixeiras. Nesse sentido, os diálogos foram fundamentais, pois além de se darem conta do que faziam na escola, refletiam também sobre como agiam e agem em suas casas.

 

Abertura para trabalhar outros temas como fome e resíduos e conteúdos como fração, medidas e textos

Com o envolvimento de todas as turmas, os docentes aproveitam para trabalhar alguns dados sobre a fome no mundo, quantos resíduos eram desperdiçados em outras realidades e como isso afetava e afeta negativamente o Meio Ambiente. Foram e continuam sendo momentos de extrema relevância para a tomada de algumas decisões que começaram a gerar transformações na escola. Antes de descrevê-las, destaca-se que enquanto a aferição era feita pelos estudantes, os docentes aproveitavam para trabalhar conteúdos que se conectavam ao painel, como fração, medidas e textos que eram produzidos para sistematizar o processo.

            No desenvolvimento da atividade, as tarefas são compartilhadas, sendo que cabe a cada uma das turmas realizarem o registro dos alimentos desperdiçados em um dos dias da semana. A ideia foi proposta pela professora Marlene Zwierewicz, coordenadora do programa de Formação-Ação, e dinamizada pela equipe da escola.

 

Oportunidade para melhorar a realidade a exemplo do lixo

       A professora Márcia Bianco, professora do Unibave que coordena o Núcleo de Inovação Pedagógica (NIP) e auxilia na coordenação do programa de Formação-Ação, afirma que com essa nova metodologia, pretende-se oportunizar aos estudantes que além de apropriarem dos conteúdos, ao mesmo tempo, colaborem para melhorar a própria realidade. Nesse sentido, participam de um ensino apoiado pela perspectiva da ecoformação e que se dinamizada por meio de ações inter e transdisciplinares.

       Para a coordenadora pedagógica do Centro Educacional Professor Henrique Buss, Simone Schlickmann, o projeto vai além do desperdício e trabalha fortemente a redução do volume de lixo, bem como a separação do mesmo de forma correta. “Temos horta escolar, fizemos uma composteira e estamos trabalhando a separação do orgânico com o envolvimento direto dos alunos. Queremos que os alunos aprendam e levem para o ambiente familiar tais práticas”, ressalta. É importante ressaltar que o projeto envolve uma problemática da realidade local e global, estimulando que os estudantes criem soluções e realizem intervenções para melhorar a realidade próxima, utilizando-se dos conteúdos curriculares apropriados.

 

A preocupação da gestão pública com o Meio Ambiente e a qualidade de vida das famílias      

         A Secretária da Educação, Cultura e Esportes, Sirlene Machado Cunha Joaquim, considera importante no contexto da formação continuada dos professores o desenvolvimento deste tipo de projetos para contribuir com reflexões importantes sobre o meio que vivemos. “Quando falamos de desperdício, falamos da fome no mundo e quando tratamos da questão dos lixos fizemos uma ligação direta ao Meio Ambiente”, observa.

     A Administração Municipal de São Ludgero segue firme investindo forte na capacitação dos profissionais da Educação que integra a Rede Municipal de Ensino, bem como oportunizando que a Secretaria de Educação, Cultura e Esportes possa desenvolver projetos que gerem a reflexão das crianças e alunos em relação a consciência ambiental e o papel de cada um na construção de um bairro, cidade, estado, país e mundo melhor. O prefeito Ibaneis Lembeck, o Iba, diz que São Ludgero vem a cada ano avançando na área educacional e também com investimentos que vão ao encontro da preservação da água e do Meio Ambiente de forma geral. “Acreditamos que as gestões públicas devem fazer sua parte, dentro de suas possibilidades, para manter nosso planeta saudável e com isso as famílias terão mais qualidade de vida”, pontua.