Conhecimento e persistência fizeram família de Martinho França prosperar no meio rural
Sucesso da família contou com orientação dos técnicos da Epagri.
A família de Martinho França que reside na comunidade da Taipa é um case de sucesso. Após longas buscas por alternativas de sobrevivência no meio rural, na maior parte do tempo como arrendatário, foi com conhecimento e persistência que em 13 anos ela se transformou em referência agrícola. A alegria dupla vai contagiar a família esta semana. O jovem Marciel França forma-se em Medicina Veterinária no sábado, dia 20 de dezembro, e decidiu que usará o que apreendeu para melhorar ainda mais a terra onde vive a família.
Martinho José França, 49, e Marilene Warmeling França, 45, completam no próximo dia 10 de janeiro, 23 anos de casados. Ambos são naturais do município de São Ludgero e, atualmente, residem na Taipa, área territorial pertencente ao município de Orleans. Martinho conta que sempre quis estudar e seu pai não concordava, acreditando que o trabalho na roça era mais importante. “Era um pensamento do meu pai. Mas, eu sempre soube que o conhecimento ajuda em muito nas melhorias e no crescimento de um negócio ou de uma propriedade”, declara. Com apenas o quarto ano das Séries Iniciais ele trabalhou na roça com os irmãos e os pais até 1986. Foi para Cocal do Sul onde permaneceu até 1990 trabalhando na empresa Eliane. “Não me adaptei em trabalhar fora e, por outro lado, via claramente que se ficasse naquele sistema dos meus pais, jamais iria progredir na vida”, recorda. Mas, a vida continuou sendo dura com Martinho e ele agarrado na determinação e com coragem continuou tentando. Retornou para a casa dos pais na Taipa e no terreno deles, através de um acerto de percentual das lavouras, somando a um arrendamento de um vizinho, tocou a vida de 1992 até 1999. Os plantios eram variados com milho, batata, tomate, repolho, feijão e também fumo. Inconformado com a situação que levava, sem muitos progressos, manteve-se focado na busca por uma vida melhor. Em 1999 ele, a esposa, os filhos Marciel e Marciano, foram trabalhar como arrendatários no terreno no vizinho Valentim Souza. “Retornamos a plantar fumo até 2001. Independente da situação, eu continuei participando de reuniões, buscando conhecimento, entendimento com a esperança e fé que um dia nossa família alcançasse êxito, fosse próspera com o suor do trabalho”, declara. Em 2001, as coisas começaram a mudar para melhor. Martinho ficou sabendo, através de Luiz Carlos Bora, da Epagri, de um crédito financeiro via Banco da Terra que possibilitava quem não tinha terra comprar um pedaço de chão. “Bora me orientou e foi um grande parceiro, me fez acreditar que não custava tentar”, ressalta. Martinho foi atrás e encontrou em Gumercindo Dutra, popular Xinda, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de São Ludgero, outro grande parceiro. “Recebi uma carga de desmotivação do presidente do Sindicato de Orleans na época, e, felizmente depois um forte apoio do Xinda do Sindicato de São Ludgero o qual sou eternamente grato”, detalha. Aprovada e definida a carta de crédito, iniciava outro desafio, encontrar um terreno dentro do limite financeiro. Procurou, procurou e encontrou. Localizava-se na própria comunidade da Taipa. Surge novo obstáculo. Para muitos o terreno era visto como fraco e que lá não daria plantação, produção. Primeiro comprou 15,1 hectares e logo em seguida mais 5,8 hectares de outro vizinho. “Em 2001 eu e minha esposa construímos nossa casa o qual a família mora até hoje, fomos fazendo análise da terra e adubando. Iniciamos com plantação de fumo, mas minha esposa enfrentou sérios problemas de saúde e num segundo momento, então, substituímos, progressivamente, por produção de leite”, explica. Ele diz que pela segunda e terceira vez a orientação técnica da Epagri foi fundamental. O atendimento prestado foi pelos profissionais Luiz Carlos Lunardi e Inácio Trevisan. “Primeiro para entrar na produção leiteira e depois para deixar a terra produtiva e adaptarmos a propriedade para a nova atividade”, conta. Foi em dezembro de 2004 que a família decidiu comprar as primeiras vacas, da raça jersy, com qualidade genética, do produtor Nilton Loch. “Tínhamos duas, comprei mais duas de Nilton e, em janeiro de 2005, o Laticínio Da Rolt de Rio Fortuna começou a pegar nossa pequena produção”, recorda. No ano de 2010 a família produziu a última safra de fumo. Novamente, problemas rodearam a família de Martinho França em 2011. Mortes de animais começaram a acontecer e quase comprometeu o plantel da propriedade. A determinação que iriam superar mais esta situação foi o que manteve todos unidos e firmes. Pela quarta vez a Epagri entrou em ação. “Desta vez foi o Médico Veterinário, Lúcio Teixeira, que descobriu o problema, deu as orientações certeiras, mudança de manejo, tratamento homeopáticos e mais nenhum animal morreu. A produtividade, inclusive, aumentou e os custos diminuíram”, diz o filho Marciel. Martinho faz questão de reforçar a importância de participar de reuniões, tardes de campo e encontros diversos com o propósito de receber informações. “Muitas pessoas criticavam minhas participações e, eu, nunca me arrependi de ter buscado orientações e conhecimento”, resume.
Atualmente, a família de Martinho França, possui uma propriedade que recebe investimentos constantes, principalmente das linhas do Pronaf, e um plantel de 81 animais com 36 em lactação. A produção é de 600 litros diariamente com a utilização de ordenha canalizada. “Minha família trabalha para ter uma propriedade produtiva e cada vez mais produzir com qualidade. Todos os nossos compromissos financeiros estão rigorosamente em dia e estamos felizes por tudo que já conquistamos até hoje. O conhecimento não ocupa espaço e traz segurança”, conclui. Martinho com base em sua experiência de vida deixa uma dica para as famílias rurais. “O produtor precisa ser pensador, persistente, não ter medo de pedir sugestões e conhecimentos sobre os assuntos de interesse de sua propriedade”, finaliza.
Pais falam com orgulho da formatura do filho Marciel
No dia 20 de dezembro, sábado, o filho Marciel França, 22 anos, se forma Médico Veterinário, na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) de Lages. Todo conhecimento adquirido utilizará na propriedade da família. Quanto ao Mestrado já saiu o resultado e ele foi aprovado, iniciando o curso em Ciência Animal, no CAV (Centro de Ciências Agroveterinárias), UDESC Lages, tendo como missão realizar uma dissertação. Ele pretende usar a propriedade com base para o estudo. O jovem confirma que sempre foi apaixonado por animais. “Em 2004 ganhei uma novilha que tem o nome de Fortuna. Ela gerou muitos outros animais e o rebanho cresceu”, diz. Ao falar sobre ter conseguido ingressar em uma faculdade pública, Marciel recorda dá conversa que teve com o professor Nilo Hobold, da EEB São Ludgero. Ele teria dito que passar na universidade era muito difícil e era necessário realizar cursinho. “Peguei apostilas emprestadas e, na primeira tentativa, fiquei em 23º lugar. Estudei mais e na segunda tentativa fui o 10º colocado. Em Lages, fiz boas amizades, conquistei uma Bolsa Trabalho e atuei fortemente no setor de Parasitologia. Também tive a oportunidade de trabalhar com confinamento de leite no Paraná. Foram boas experiências”, conta. Ao falar do filho, Martinho e Marilene, afirmam que ele sempre foi estudioso e teve um grande amor pelos animais. “Ele sempre estudou muito e tirou notas boas, nunca deu trabalho. Nossa preocupação maior era ele estar sozinho em Lages”, revela o pai Martinho. Já o outro filho, Marciano França, 16 anos, cursa o 2º ano do Ensino Médio na EEB São Ludgero.